HIV: estudo aponta aliados no combate à contaminação entre jovens

Novas promessas de prevenção ao HIV foram apresentadas nesta terça feira na 9th IAS Conference on HIV Science in Paris, conferência sobre a ‘Ciência do HIV’, na França, como aponta publicação do National Institutes of Health- NIH (Instituto Nacional da Saúde, em português), de Maryland, Estados Unidos.

Créditos: iStock/michaeljung Adolescentes e jovens entre 15 e 24 anos apresentam risco particularmente alto de infecção pelo vírus HIV

As descobertas beneficiam especialmente mulheres jovens. Adolescentes e jovens entre 15 e 24 anos apresentam risco particularmente alto de infecção pelo HIV. Elas representaram 20 por cento das novas infecções por HIV entre os adultos em levantamento feito em 2015, apesar de compor apenas 11 % da população adulta.

Estudos financiados pelo National Institute of Allergy and Infectious Diseases- NIAID (Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas), que faz parte do NIH, testaram pela primeira vez o uso de um anel vaginal que libera uma droga antirretroviral em adolescentes menores de 18 anos e um comprimido oral como profilaxia pré-exposição (PrEP) especificamente para adolescentes.

As descobertas abrem caminho para ensaios maiores do anel vaginal e da PREP oral nesta faixa etária vulnerável: “A ciência demonstrou que as necessidades de prevenção do HIV dos adolescentes podem ser diferentes das dos adultos, é por isso que esses novos achados do estudo são tão importantes. Adolescentes e jovens representam uma parcela crescente de pessoas vivendo com HIV em todo o mundo”, observou Anthony S. Fauci, diretor NIAID.

É importante lembrar o uso de preservativos é indispensável e recomendado para prevenção de outras Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs).

Créditos: iStock/pederk Uso de preservativos é indispensável e recomendado para prevenção de outras DSTs

Anel Vaginal Seguro para jovens

Um estudo anterior, financiado pelo NIAID, chamado ASPIRE, com mulheres de 18 a 45 anos, testou um anel que libera continuamente o medicamento experimental anti-HIV da dapivirina na vagina por 30 dias.

Os resultados, expostos em 2016, mostraram proteção de 27% em geral. Porém, nas participantes de 18 a 21 anos, não houve índice de proteção, provavelmente devido à baixa adesão. Uma análise exploratória subsequente dos dados do estudo revelou que o uso do anel continuamente ou a maior parte do tempo, reduziu o risco de infecção pelo HIV em mulheres em pelo menos 56 por cento.

Na segunda faze do estudo, que teve os resultados divulgados no evento desta terça-feira, os cientistas examinaram a segurança e aceitabilidade do anel de dapivirina entre 96 garotas sexualmente ativas de 15 a 17 anos de idade.

A pesquisa concluiu que o anel de dapivirina era seguro e bem aceito entre as participantes do estudo. A adesão ao anel era alta: 87% das amostras de sangue ​​atendiam aos critérios de aderência especificados.

“Fomos encorajados por esses resultados do uso do anel de dapivirina em garotas de 15 a 17 anos”, disse Sharon Hillier, Ph.D., investigadora principal da Rede de Ensaios de Microbicidas (MTN), financiada pelo NIH.

Medicamento via oral

Já o estudo sobre a PrEP oral – chamado Choices para Métodos de Prevenção de Adolescentes para a África do Sul, ou CHAMPS PlusPills – é o segundo ensaio clínico sobre os resultados da PrEP focado exclusivamente em adolescentes.

A pesquisa avaliou a segurança e aceitabilidade do uso diário de Truvada oral, que contém dois medicamentos anti-HIV, como parte de uma prevenção ao vírus.

A Truvada ainda não foi aprovada por órgãos reguladores norte-americanos para uso como PrEP oral em adolescentes.

O estudo envolveu 148 jovens (99 garotas e 49 meninos) sexualmente ativos – entre 15 e 19 anos – da Cidade do Cabo e Joanesburgo, na África do Sul.

Os participantes foram convidados a tomar diariamente Truvada oral por pelo menos três meses ou, caso quisessem, por até um ano.

Os pesquisadores descobriram que a maioria dos participantes escolheu tomar diariamente o medicamento, que foi considerado seguro e tolerável para os adolescentes. Embora o número de participantes que realmente tomaram Truvada conforme o prescrito tenha sido menor do que o número que optou em diminuir o consumo ao longo do tempo, quase 40 por cento havia aderido o uso do remédio no final do estudo.

Alguns participantes citaram efeitos colaterais , como náuseas ou dor de cabeça, como o motivo pelo qual pararam de tomar Truvada como PrEP oral.

Um participante foi infectado com o vírus durante o levantamento. Esse jovem, de 19 anos, havia parado de tomar Truvada três meses antes do diagnóstico de HIV.

O pacote de prevenção do HIV fornecido a todos os participantes do estudo CHAMPS PlusPills incluiu testes de HIV, gerenciamento de infecções sexualmente transmissíveis, aconselhamento sobre como reduzir o risco de HIV, acesso a preservativos, profilaxia pós-exposição (tratamento anti-HIV a curto prazo para reduzir a probabilidade de infecção pelo HIV após potencial exposição) e aconselhamento sobre a necessidade contínua de Truvada como PrEP oral.

Os pesquisadores acreditam que os resultados do estudo contribuem para um crescente número de dados que poderiam apoiar o desenvolvimento de diretrizes baseadas em evidências para o uso de Truvada como PrEP oral em adolescentes.

Continuação das pesquisas

No estudo batizado de REACH (Alcance, em português), programado para ser lançado no final deste ano, os investigadores da MTN avaliarão a segurança do anel de dapivirina e do Truvada como PrEP oral entre as adolescentes e jovens de 16 a 21 anos. O REACH também avaliará como as participantes do estudo usam o anel mensal e a PrEP diária, além de suas preferências por uma ou ambas as abordagens.

Fonte: Catraca Livre

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