Casos de HIV aumentam mais de 350% em seis anos no Paraná, diz Sesa

Por RPC Curitiba

O número de novos casos de HIV aumentou 351% de 2010 a 2016, de acordo com dados da Secretaria de Saúde do Estado do Paraná (Sesa). Há seis anos, 672 pacientes foram diagnosticados com o vírus. No último ano, foram 2.361. O dado mais recente é o de julho de 2017, quando 38 pessoas receberam resultado positivo no estado, segundo a Sesa.

A superintendente da Vigilância em Saúde da Sesa, Julia Cordellini, comenta que o assunto precisa ser discutido com frequência. “É preciso que a gente fale sobre elas [infecções sexualmente transmissíveis], que as pessoas entendam a sua responsabilidade sobre o auto-cuidado referente a suas práticas sexuais, independente da sua orientação sexual ou da sua identidade de gênero.”

Ainda de acordo com a superintendente, para diminuir estes índices, os profissionais de saúde devem estar capacitados para ouvir, acolher corretamente e conduzir os pacientes para o diagnóstico e tratamento adequado.

O diagnóstico é feito por testes rápidos, que estão disponíveis em laboratórios, nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Em Curitiba, os exames também são feitos em um trailer, localizado na Praça Osorio, e no Centro de Orientação e Aconselhamento (COA).

Testes rápidos para identificar o HIV estão disponíveis nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) (Foto: Reprodução/RPC)

Juliane Santos, coordenadora do COA, conta que a preocupação ainda é em relação a conscientização sobre o que é uma prática sexual arriscada.

“Com o simples fato de eu não usar preservativo, não ter preservativo comigo, e saber que as vezes eu vou sair, eu vou para uma balada, posso conhecer alguém e posso ter uma relação depois com essa pessoa, eu não estou cuidando da minha saúde”, exemplifica a coordenadora.

Douglas Silva convive com o vírus desde que nasceu. Ele contraiu o HIV por transmissão vertical, quando a mãe passa para o filho, e segue o tratamento. Ele destaca que “a maior dificuldade, hoje, de uma pessoa que vive com o HIV, é o preconceito”.

O jovem fala ainda sobre a prevenção. “Se uma pessoa opta por não usar o preservativo, a camisinha, é óbvio, ela está sujeita a entrar em contato com qualquer infecção sexualmente transmissível (…) a gente sabe que o HIV, ele não tem cara”, conta o paciente.

Especialistas ressaltam que o uso de preservativos previne o HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis (Foto: Reprodução/RPC)

Tratamento

Para evitar riscos, os pacientes podem retirar gratuitamente no COA um remédio que impede a infecção pelo vírus da AIDS. O medicamento deve ser ingerido até 72 horas depois da relação sexual ou exposição ao virus.

Segundo o Centro, também há outro medicamento, de tratamento contínuo, que previne o vírus do HIV. O remédio deve chegar à rede pública no final do ano e, no momento, está em fase de pesquisas, que pretendem analisar se o uso pode influenciar ou não no comportamento dos pacientes.

Um paciente, de 27 anos, que participa da pesquisa, conta que buscou no medicamento uma forma a mais de se proteger. “Começa a ficar mais próximo de você e você vê que tem que se cuidar”, conta.

Sífilis

Segundo a Sesa, de 2010 a 2016, também houve crescimento no número de novos casos de sífilis: de 29 para 1.869 confirmações.

A médica infectologista Marion Burger explica que, diferentemente da Aids, a Sífilis é causada por uma bactéria. É uma doença que possui tratamento que leva a cura. Os casos devem ser diagnosticados, por meio de exames laboratoriais.

Ainda segundo a especialista, mesmo depois de curado, o paciente pode ser infectado novamente, então, a prevenção deve ser constante.

Os sintomas da sífilis se apresentam em vários estágios, de acordo com a médica. O primeiro estágio acontece normalmente um mês depois da infecção. O paciente apresenta uma ferida, que não dói e que cicatriza, mesmo sem tratamento.

A especialista observa que o segundo estágio da doença pode aparecer seis meses depois da infecção. A reação atinge o corpo todo, incluindo mãos e pés, como uma alergia, que também desaparece em seguida.

“Se não tratar adequadamente neste período, ela [a pessoa infectada] vai manifestar a fase terciária que é gravíssima. São sintomas neurológicos, alterações cardíacas, vasculares e nos ossos”, conta a especialista.

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